terça-feira, 10 de janeiro de 2012

UM DIA


Recebi de um grande amigo a atualização de seu status no facebook com uma mensagem incrível, simplesmente uma realidade que acredito ser possível, não de forma tão globalizada, MAS possível, pelo menos para a minha área de atuação e convivência.
Eu não acredito em grandes ações para que uma realidade seja transformada, ACREDITO em gestos simples do meu dia-a-dia, porém que eles sejam extraordinários.
“Amar ao próximo como a mim mesmo” não é ter um sentimento ou mesmo uma emoção de repente, mas simplesmente olhar aquele que está na minha frente como a mim mesmo.
SE POR UM DIA APENAS você ficar viciado nisso, então você se tornou uma pessoa incrível!
Será que a gente consegue ficar viciado nisso?
Robson Rodrigues









terça-feira, 13 de dezembro de 2011

UMA IGREJA PARA CONSTRUIR


“Você está vendo todas estas grandes construções?”, perguntou Jesus. “Aqui não ficará pedra sobre pedra; serão todas derrubadas.” Marcos 13:2

“As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas.” 2 Coríntios 10:4

A tragédia ainda está abalando as estruturas da região serrana, mas, precisamente a minha cidade de Nova Friburgo, tem sido analisada por um ângulo mais material e, em alguns raros casos, emocional. Contudo, quero focar o aspecto espiritual.
Lendo os textos em destaque, refleti. A qual construção Jesus se refere ao dizer que “não ficará pedra sobre pedra”? Sobre o que a Palavra diz quando aponta que “fortalezas” serão destruídas pela ação de Deus ao final de toda luta de seus filhos?
Seria uma enorme pretensão acreditar que tal reflexão encontre uma única sentença para os problemas sociais, emocionais, econômicos de nossa cidade, porém não posso deixar de examinar fatores bíblicos que chamam a atenção da gente como igreja de Cristo nesta sociedade.
A igreja cabe que parte na re-estruturação de uma cidade que foi completamente abalada em sua base? Entende a igreja que deve participar e influir no planejamento da cidade onde está, já que é composta de pessoas que crêem e servem a Deus, cidadãos cumpridores dos seus deveres e que fazem jus aos seus direitos? Quando perguntado sobre isto, o prefeito, principal gestor público de Nova Friburgo, responde que o cuidado da igreja deve se resumir ao cuidado das almas.
Como as pessoas outras estão vendo a existência da igreja?
Ninguém em sã consciência defenderá a participação da igreja no contexto social como palavra indiscutível de um clero irrefutável. Não! O que a verdadeira igreja oportuniza em sua ação cidadã é o contato com a sabedoria de Deus na prática de seu cotidiano, pessoa a pessoa. A opinião, as escolhas, o compromisso, a palavra empenhada, os valores e princípios que embasam a vida cristã inserem a fé naquele que tem todo o poder para clarear os melhores caminhos e as reais prioridades para cada pessoa que compõe a sociedade. E isso não se dá pela imposição de uma inquestionável decisão eclesiástica sobre alguém, mas pela ação espiritual divina que transforma a mente de gente.
Nova Friburgo não é a melhor ou a pior cidade do mundo, mas suas características a marcam de tal forma que entendo necessário repensar os modelos estabelecidos e fortalecidos ao longo de sua história. Há muitos que concordam comigo.
Relendo cartas de João a igrejas mencionadas em apocalipse, percebo que a grande revelação expõe comunidades que se distinguem entre si como preparadas ou não para cumprirem a missão cristã neste mundo até a volta do Messias.
As sete cartas às sete citadas igrejas do apocalipse chamam a atenção para a função cidadã dos que a compõem, considerando todos os elementos culturais, sociais, econômicos. As interferências espirituais ali referidas não são abordadas como ritualísticas religiosas ou práticas meditativas presas a uma religiosidade ensimesmada, mas reportam a mentalidades totalmente transformadas ao modelo de Jesus.
Não ficará “pedra sobre pedra” é promessa diretamente voltada à derrubada da visão que se dá ao direito de discriminar a aparência aceitável ao que é sagrado ou pertinente à vida dos cristãos: púlpitos, gravatas, paletós, bancos, gabinetes, cargos, nomeações equivocadas de pastor, bispo, presbíteros, apóstolos, horários de cultos, ministérios e tantos outros elementos que inventamos à custa de um deus que se importa com tudo, menos com a Vida.
Não ficará “pedra sobre pedra” dos sistemas religiosos que criamos para dizer às pessoas sobre como devem adorar, serem mais “santas”, mais dignas de receber a graça, mais éticas e morais para trabalharem no Reino e pelo Reino. Não ficará “pedra sobre pedra” da eclesiologia que insiste em ditar sanções ministeriais como formas de correção.
Realmente, eu creio que nada disso ficará de pé ante a ação única e suficiente de Jesus, que morreu por nós para nos dar VIDA. E isto vem de Deus como ato de amor imerecido e gratuito para todos aqueles que invocam o nome do Filho, assumindo o caráter de Cristo pelo qual somos salvos.
Deus irá destruir as fortalezas do orgulho, da insensatez, do clericalismo disfarçado (até mesmo de evangélico), tal como aconteceu pelo comportamento coerente de Jesus em seu contexto de vida na Terra. Tal como Pedro, que teve sua cultura hipócrita confrontada e escolheu abrir mão de hábitos já naturalizados em seu cotidiano, precisamos ter nossas fortalezas destruídas pela confrontação poderosa e amorosa da Palavra de Deus.
Eu afirmo que Nova Friburgo precisa da igreja envolvida em sua reestruturação. Uma igreja feita de gente, que depende de Deus por se saber pecadora e falha em seu pensar; uma igreja composta de pessoas sábias, acolhedoras, que somam em prol do próximo; uma igreja de gente humilde, mesmo que com riquezas em sua conta bancária.
O melhor da igreja não é o aparente, mas o essencial; a prioridade da igreja não será determinada por este ou aquele interesse circunstancial, pois já está definida – o amor a Deus que a impulsiona na direção do louvor de um verdadeiro adorador: “amar ao próximo com a si mesmo”.
A igreja, viva na atitude de Jesus Cristo, incentivará novas relações sociais, saudáveis e produtivas, que excluam o medo de falar na primeira pessoa do singular, que não necessitem de máscaras pessoais ou grupais por abdicar desconfiança “preventiva”, sabendo que só aquele que nos conhece plenamente tem poder para nos julgar, “pois terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”.
A igreja estará empenhada em construir comunidades que se desenvolvam para a cooperação, buscando que todos tenham boas condições de empreender na direção do benefício da coletividade, não se voltando à competição que ignora o valor do outro.
A igreja pode influenciar no estabelecimento de um novo padrão educacional que impressiona e incentiva não para boas notas em um bimestre, mas para um aprendizado consciente que qualifica e entusiasma o aluno a se ver e ser visto como aprendiz numa formação permanente para a eternidade.
A igreja que pode e ajudará Nova Friburgo a superar a crise atual sabe que lidará com os mesmos problemas que Jesus enfrentou em sua época, mas entende que a mensagem do Mestre transpassou aquele tempo, porque as Suas Palavras não passarão jamais.
Está lançado o desafio pra nós, irmão. Eu assumo pra mim o papel de uma igreja coerente e atuante pelos princípios e valores do Pai onde Deus me colocou, Nova Friburgo – Rio de Janeiro – Brasil – Mundo.
Que Deus tenha piedade de mim!
Robson Rodrigues

domingo, 27 de novembro de 2011

A ideia de Deus como um “pastor”

O salmo 23 é um dos mais conhecidos da Bíblia pela fé que suas palavras transmitem ao leitor, proporcionando conforto e segurança para quem espera em Deus. Em seus seus versículos, o poeta descreve a solicitude divina para com os justos através de duas imagens, apresentando o Eterno como um pastor (versos 1 a 4) e também como um anfitrião que oferece um banquete a um convidado de honra (versos 5 a 6).

A princípio, para que possamos melhor compreender a ideia de Deus como um pastor, é importante nos familiarizarmos mentalmente com o meio ambiente seco da Palestina onde o salmista teria composto o seu belo poema no idioma hebraico. Pois, aqui no Brasil, em quase todas as nossas religiões onde a vegetação e a água costumam ser abundantes para a agropecuária (exceto o sertão nordestino), pode-se dizer que as ovelhas cuidam de si mesmas ficando soltas no pasto. Porém, em lugares semiáridos como são a nossa Caatinga e mais ainda o Oriente Médio, a presença do pastor é indispensável já que, por diversas vezes, é preciso conduzir o rebanho por horas pelas paisagens desérticas até encontrar água e pasto verde para os animais.

Sem dúvida que, nestes locais secos e de criação extensiva, as ovelhas acabam desenvolvendo uma relação de confiança em relação ao pastor, passando até a reconhecer a voz de quem lhes guia e protege. Pois, sem o pastor, as dóceis e domesticadas ovelhas simplesmente vagariam sem rumo pela hostilidade do ambiente desértico até morrerem de fome, sede, frio ou serem atacadas por um predador. Por isto, esses animais indefesos não seguem a nenhum outro que não seja o verdadeiro cuidador.

Para a história do povo israelita, guiado pelo deserto do Sinai após o êxodo egípcio, a imagem de Deus como pastor torna-se algo de fácil identificação cultural. De acordo com a Torá, os filhos de Israel viveram 40 anos sob a proteção do Eterno num ambiente. Foram milagrosamente protegidos do sol forte através de uma nuvem (durante o dia) e aquecidos por uma coluna de fogo (à noite), além de receberem o maná como alimento de domingo à sexta-feira com porção dobrada neste dia da semana para que não laborassem no Shabat. É como relata poeticamente o livro de Neemias num re-exame pós-exílico da lei mosaica:

“Todavia, tu, pela multidão das tuas misericórdias, não os deixaste no deserto. A coluna de nuvem nunca se apartou deles de dia, para os guiar pelo caminho, nem a coluna de fogo de noite, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir. E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar; não lhes negaste para a boca o teu maná; e água lhes deste na sua sede. Desse modo os sustentaste quarenta anos no deserto, e nada lhes faltou; as suas vestes não envelheceram, e os seus pés não se incharam.” (Ne 9.19-21; ARA)

Ora, ninguém precisa acreditar literalmente na ocorrência desses fenômenos. Toda a jornada de travessia dos israelitas pelo deserto é uma imagem da orientação do homem pela Torá em sua caminhada. Significa sermos guiados e cuidados por Deus na trajetória de vida através de uma experimentação mística, relacionando-se também com o aspecto coletivo e não se restringindo somente ao individual.

Voltando ao Salmo, cuja autoria é atribuída ao rei Davi, tem-se logo no começo o incentivo á confiança de que Deus irá suprir totalmente o seu “rebanho”, conhecendo as necessidades fundamentais das “ovelhas” melhor até do que elas mesmas. Então, tudo o que elas realmente precisam o Pastor irá lhes proporcionar ainda que nada Lhe seja pedido. E, como se vê, a grama não é seca, mas fresca, adequada para o animal deitar e repousar. Também as águas, ao invés de serem agitadas, são tranquilas e seguras, permitindo a ovelha saciar sua sede.

Tal cenário bíblico dos versos 1 e 2 parecem até a habitação celestial descrita no Apocalipse sobre a Nova Jerusalém. Porém, não é propriamente sobre o futuro que o salmista está falando, mas sim do conforto recebido no presente, capaz de levantar seus ânimos em meio às lutas do cotidiano. Assim, quando o versículo 3 fala em refrigério para a alma, certamente podemos entender isto como uma restauração das nossas forças espirituais em Deus. Isto porque é o Eterno quem sustenta a nossa vida pela sua Torá (orientação), dando-nos mais do que pão para o estômago.

A Palavra de Deus, a qual também podemos entender por “instrução” (vocábulo mais adequado do que “lei” para traduzir Torá no nosso idioma), é também o caminho de justiça pelo qual a ovelha é guiada. Ou seja, quando permitimos que o Eterno nos dirija, podemos alcançar a verdadeira paz através de uma tranquilidade e de uma serenidade no nosso interior.

A esse respeito, a Bíblia é riquíssima em exortações. Os mandamentos divinos são orientações dadas aos homens para que todos possam viver bem e em harmonia com o Universo. Isso encontra-se explícito nos cinco livros da Lei de Moisés, no Salmo 1º que fala dos caminhos do justo e do ímpio, além de inúmeros outros poemas, provérbios e advertência dos profetas:

“Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos e o teu coração guarde os meus mandamentos; porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz. Não te desemparem a benignidade e a fidelidade, ata-as ao pescoço; escreve-as na tábua do teu coração e acharás graça e boa compreensão diante de Deus e dos homens. Com fia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal; será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus ossos.” (Pv 3.1-8; ARA)

Assim como um homem honrado cumpre com a sua palavra, mais ainda a instrução do Eterno não pode falhar e Ele nos conduzirá em paz pelos caminhos da vida. Tal como a gravidade atrai o corpo ao chão, os mandamentos divinos são leis que regem metafisicamente o Universo. E aí, reverenciar a instrução torna-se o primeiro passo para alcançarmos a sabedoria interior.

Na sequência, o salmista fala sobre a ausência de receio ou de temor do mal caso viesse a andar “pelo vale da sombra da morte”, o que traduz o apoio de Deus nos nossos momentos de adversidade. Segundo o teólogo congolês Nupanga Weanzana, doutor em estudos do Antigo Testamento pela Universidade de Pretória, África do Sul, a referida expressão poderia ser um local de perigo onde as ovelhas fossem vítimas de animais selvagens “ou um vale íngreme que o rebanho precisava escalar ao se deslocar de um pasto para outro” (Comentário Bíblico Africano, pág. 639). Para ele, esta imagem também lembra a experiência de Israel em sua jornada espiritual pelo deserto do Sinai fazendo uma referência a um trecho do verso 6 do capítulo 2 do livro de Jeremias que assim diz: “e sem perguntarem: Onde está o SENHOR, que vos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava e na qual não morava homem algum?”

Aduza-se que o “vale da sombra da morte” poderia significar também uma descrição negativa do reino dos mortos que os antigos hebreus construíram em seu imaginário coletivo. Tanto é que Jó, no auge do seu desespero, chegou a pedir para Deus deixá-lo em paz antes de partir “para a terra das trevas e de sombra da morte” (ver Jó 10.20-22). Só que para o salmista não importaria por onde ele caminhasse porque a presença envolvente do Eterno seria suficiente para protegê-lo e ampará-lo nas diversas situações.

Sinceramente, eu não vejo outra maneira de viver plenamente saudável senão através da fé.

Quando colocamos a nossa confiança em Deus, sem reservas, nenhuma situação vai nos amedrontar. É claro que não estamos isentos de sofrer com as más notícias, perdas e acontecimentos ruins porque somos humanos, não de ferro. Contudo, no momento em que tomarmos consciência da Divina Providência operando a nosso favor, passamos a desfrutar da doce paz do Eterno em nossos corações mesmo que tudo esteja desabando ao nosso redor.

Nessas horas precisamos nos lembrar bem do “bordão” e do “cajado” de Deus, instrumentos com os quais os pastores traziam de volta a ovelha desgarrada e protegiam o rebanho do ataque das feras do campo. Pois, caso um lobo surgisse repentinamente, o cajado seria capaz de afugentar o predador e até mesmo evitar uma aproximação.

Bendito cajado!

Quer nos desviemos ou passemos por dificuldades, certamente o Eterno não nos abandonará porque Ele ama o seu povo. A sua proteção e a sua provisão jamais nos faltarão. Logo, devemos prosseguir confiantes, sabendo que um banquete espiritual aqui e agora nos aguarda. E que bondade e misericórdia vão nos acompanhar todos os dias de nossas vidas, tendo em Deus o nosso lar eterno, com quem estaremos para sempre unidos.

Uma boa semana e que possamos deixar Deus nos conduzir e nos saciar completamente. Segue aí um excelente vídeo encontrado no Youtube com o Salmo 23 cantado na língua hebraica:

OBS: A imagem acima trata-se da obra "O Bom Pastor", mosaico no Mausoléu de Galla Placidia, Ravenna, datado da primeira metade do século V da era comum. Já a segunda ilustração seria uma retratação do Salmo 23 da versão King James de 1880 em que o provável autor talvez seja Edward Evans (1826-1905).

OBS 2: Este texto foi inicialmente postado no blogue Confraria Teológica em http://logosemithos.blogspot.com/2011/11/ideia-de-deus-como-um-pastor.html

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Celebremos a eternidade da Vida!

"Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem". (1 Tessalonicenses 4.13-14; ARA)


Não há como agente apagar da memória a imagem de alguém que partiu. Emocionar-se e lamentar num enterro é algo muito natural. Segundo a Bíblia, assim que Jacó morreu, seu amado filho José "lançou-se sobre o rosto de seu pai, e chorou sobre ele, e o beijou" (Gn 50.1; ARA).

Entretanto, não devemos passar a vida inteira nos entristecendo sem termos esperança. Paulo, em sua carta à igreja em Tessalônica, na Grécia, referiu-se eufemicamente às pessoas mortas como alguém que "dorme". E, com isto, o autor da epístola exorta seus leitores a não se preocuparem com o destino daqueles que já tinham morrido.

Cada cultura e cada indivíduo respondem à morte de uma maneira. Entre diversos povos da África, por exemplo, o morto é considerado alguém que continua a fazer parte da família. Sendo as tribos africanas animistas, é muito comum as pessoas desses países acreditarem que o espírito desencarnado do falecido prosseguirá zelando pelo bem de seus descendentes e cônjuges. E, se não re-encarnarem, receberão uma espécie de "promoção" para um plano superior, passando a viver junto ao Ser supremo, identificado em certas tradições pelos nomes de Olodumaré ou Olorun na língua dos iorubás (um dos maiores grupos étno-linguístico na África Ocidental, composto por 30 milhões de pessoas em toda a região).

Contudo, o importante é que as pessoas consigam se recobrar do trauma da perda, aprendendo a lidar com a ausência e vivendo com uma esperança motivadora. Assim, neste sentido, as palavras de Paulo tornam-se bem confortadoras. Pois, além de compreender a morte como um descanso transitório, deve o seguidor de Jesus ansiar pelo momento em que todos estarão reunidos para sempre com Deus. E a este respeito o apóstolo expõe muito bem o mistério da existência conforme a imagística e o conhecimento de sua época:

"Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com ele, entre as nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras." (1Ts 4.15-18; ARA)

Em cima destes escritos, a Igreja criou inúmeras doutrinas posteriores e muitas delas tornaram-se até alienantes quanto à vida em comunidade. Os padres começaram a abusar desta consolação, projetando a felicidade do homem no céu, ao invés de incentivarem o encontro com a Vida no aqui e agora. Explorado pelos seus patrões e pelos governantes, com amplo apoio dos líderes eclesiásticos, nada mais restou ao trabalhador exceto sonhar com um paraíso após a morte. E para limitar qualquer ação revolucionária dos pobres, ainda criaram as terríveis ameaças acerca da condenação no inferno.

Numa época mais moderna, em que desastres de grandes proporções têm ocorrido juntamente com o desenvolvimento de armas de destruição em massa e mais as profundas mudanças sociais, não há nada mais alienante do que as paranoias apocalípticas. Os discursos sobre a segunda vinda de Jesus têm se tornado verdadeiras sessões de terror como se a qualquer momento o fim do mundo pudesse acontecer. Aí, segundo esta visão teológica, quem estiver vivendo fora dos padrões da Igreja, será destruído.

Lendo os versos de 1 a 11 do capítulo 5 da epístola, entendo que a ideia de uma repentina chegada do "Dia do Senhor" é nada mais do que uma exortação para que a humanidade se prepare para um novo tempo. Trata-se, portanto, de percebermos a nova estação na qual o mundo está entrando para que não sejamos surpreendidos com as mudanças de valores:

"Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão" (1Ts 5.3; ARA).

Ao analisarmos a História, percebemos que alguns eventos ocorrem com grandes surpresas, sem que as pessoas tenham tempo hábil para prevê-los. No final da década de 80 e início dos anos 90, quem poderia imaginar que as cortinas de ferro da ex-URSS e da Europa do Leste iriam cair? Repentinamente, foram caindo os regimes totalitários e stalinistas um por um semelhantes às peças de um jogo de dominó. Porém, se retrocedêssemos a 1986, por exemplo, ninguém poderia imaginar que o vergonhoso muro de Berlim iria ser derrubado em tão pouco tempo e que a Alemanha, dividida em dois países, voltaria a se reunificar.

Lendo a mensagem de Paulo, é justamente o aspecto libertador daquelas palavras que precisam ser retidas para não nos enganarmos com essas teologias amedrontadoras que, na prática, só prestam para promover as mais nocivas alienações. Realmente temos que estar atentos, procurando perceber o tempo kairótico, aquilo que Deus está hoje fazendo no mundo. E, firmados na esperança, promovermos a vida em comunidade.

"Nós, porém, os que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação; porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele." (1 Ts 5.8-10; ARA)

Quando vivemos com esta percepção no tempo kairótico, nossa existência torna-se uma eterna aventura. Quer estejamos aqui, ou "dormindo", podemos experimentar a salvação, isto é, uma vida plena e satisfeita pela nossa integração total com o Criador e tudo o que Ele fez de bom. Preocupar-nos com o futuro pessoal ou com a partida dos entes queridos já não deve mais nos afligir porque passamos a celebrar a continuidade da Vida que tem na ressurreição de Cristo Jesus um belíssimo símbolo.

Contrariando o papo sem aterrorizante desses pregadores sem graça que têm por aí, Paulo escreve os versos finais de sua epístola aos tessalonicenses motivando-os para a experimentação da vida comunitária. O seguidor de Jesus é chamado para atuar na edificação de uns dos outros, assumindo sua responsabilidade com os irmãos locais. E. com estas palavras, ele explica o que vem a ser esta celebração da vida:

"Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos. Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda a forma do mal." (1Ts 5.15-22; ARA)

Por acaso esta última citação não é um excelente exemplo do que significa viver no tão desejado tempo kairótico em que aprendemos a ser gratos e nos alegrarmos sempre?

Complementando o seu estudo sobre a epístola paulina no CBA, Rosalie Koudougueret, bacharel e mestre em Teologia da República Central da África, trás-nos estes oportunos comentários:

"As palavras de Paulo nos lembram os extraordinários privilégios que desfrutamos como crentes, os quais são a fonte de nossa alegria, mas também de nossos deveres e responsabilidade em evitar o mal e pôr em prática a palavra de Deus. Essas palavras são particularmente aplicáveis à igreja hoje, a qual tem sido tão influenciada pelo mundo que agora abriga todos os tipos de males: corrupção, imoralidade, tribalismo [conflitos entre as tribos africanas], divisão, egoísmo e roubo. Além disso, existe uma escassez de profunda e dinâmica oração. Já é hora de a igreja retornar ao seu primeiro chamado para ser 'o sal da terra' e a 'luz do mundo'" (Comentário bíblico africano; São Paulo: Mundo Cristão, 2010, pág 1500)

Que neste feriado do dia 2 de novembro, mundialmente dedicado aos que "dormem", venhamos nos encher de esperança e nos fortalecermos com a luz do nosso Deus! E, confortados, possamos prosseguir confiantes em nossa caminhada, celebrando alegremente a eternidade de todos os seres porque o nosso Criador é a fonte da vida que pulsa no Universo. Bendito seja Ele!


OBS: A ilustração usada neste texto diz respeito ao quadro Ressurreição de Cristo, pintado pelo artista francês Noël Coypel, em 1700.

domingo, 9 de outubro de 2011

O olhar de Moisés e a experimentação do Santíssimo

Em quatro décadas de exílio, no país de Midiã, certamente que Moisés já deveria estar habituado com aquelas áridas paisagens da Península do Sinai. Seus dias pareciam ser monótonos para o ponto de vista de um ocidental moderno e compreendiam uma incansável rotina de pastoreio dos animais do sogro com quem ele morava. Ir para o Norte, para o Sul, Leste ou Oeste, sem dúvida eram caminhos bem conhecidos pelo príncipe que se recusou a ser chamado "filho da filha de Faraó" e que, preferindo o maltrato junto com o seu povo, não encontrou outra solução a não ser deixar o Egito das pirâmides com todos os seus ricos tesouros.

Certa vez, conduzindo o rebanho para além do deserto, Moisés chegou a um monte chamado Horebe que, futuramente, viria a ser conhecido como a "Montanha de Deus" e se tornaria destino de inúmeras peregrinações religiosas judaicas, cristãs e muçulmanas. Até aí, porém, aquela elevação era só mais um componente da geografia da região onde ele habitava anonimamente. Só que, naquele dia, que poderia ter sido igual a todos os outros que o antecederam, Moisés resolveu prestar a atenção em algo diferente, alcançando uma primária experiência que mudaria não somente a sua vida como a história da nação de Israel.

"Apareceu-lhe o Anjo do SENHOR numa chama de fogo, no meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo e a sarça não se consumia. Então, disse consigo mesmo: Irei para lá e verei essa grande maravilha; por que a sarça não se queima?" (Êxodo 3.2-3; ARA) - destaquei

A princípio, aquele fenômeno misterioso não amedrontou Moisés. Deixando-se levar pelo desejo de auto-pesquisa, ele resolveu dar uma espiada naquela simples planta espinhosa cuja madeira é "imprestável para talhar ídolos", conforme bem observa a literatura judaica pós-bíblica. Só que o orgulho e a soberba não tinham espaço no coração daquele peregrino octagenário cheio de vitalidade e ainda capaz de se maravilhar diante das situações mais comuns da natureza. Mesmo tendo sido um nobre da coorte da maior super potência do segundo milênio antes de Cristo.

Como explicar aquele acontecimento através da ciência ensinada nas universidades dos egípcios? Nem nos laboratórios e biblioteca da Harvard do Nilo existiam soluções para tal problema. Por se tratar de um mistério, o fato jamais poderia ser compreendido pela metodologia teórica passada nos livros. Logo, a única saída seria Moisés experimentar subjetivamente, saindo um pouco de si mesmo e procurando estudar a realidade por todos os ângulos ao seu alcance.

Assim fez Moisés quando se interessou pelo episódio da sarça que ardia e não se consumia, atentando para a realidade divina que há em todas as coisas e em todas as pessoas. Com abertura, livre de preconceitos acadêmicos e de ideias prontas, Moisés aproximou-se do arbusto. Ele não se negou ao questionamento e fez daquele momento uma grande oportunidade para seu enriquecimento pessoal através de um saber verificável que jamais pode prender-se a condutas dogmáticas ou fundamentalistas.

Ao inebriar-se com a visão da sarça em chamas, aflorou em Moisés aquele mesmo desejo de saber original dos patriarcas, mas que foi reprimido durante séculos de dominação econômica, política e cultural. Deixando de lado a alienação imposta pelo dominador, ele soube dar vazão à sua subjetividade na investigação do objeto a sua frente afim de situar-se com consciência na realidade. E, com isto, também permitiu que a verdade se estabelecesse nele de maneira libertadora, rompendo todas as correntes da opressão escravocrata e da dependência ideológica, as quais incutem o medo nas consciências, ferindo, humilhando, rebaixando a autoestima, silenciando a dança e a palavra de um povo afim de coisificar o ser.

Contudo, a investigação do sagrado requer do sujeito uma profunda reverência. E foi o que Moisés aprendeu. Após perceber seu chamado quando se aproximou da sarça, ele se deparou com a advertência que todos nós precisamos interiorizar:

"Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, no meio da sarça, o chamou e disse: Moisés! Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui! Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa." (versos 5 e 6; mesma tradução bíblica)

Ao experimentarmos o Deus vivo, devemos lembrar que não estamos diante de qualquer pessoa e muito menos diante de uma força da natureza. Ele é o Santíssimo e subsiste em seu próprio existir, sendo infinito e absolutamente transcendente. Pois até os termos "Santo", "Eterno", "Pai" ou o impronunciável Tetragrama YHWH (consoantes de Yahweh), bem como outras possíveis representações, tornam-se todas insuficientes para definir quem as diversas tradições religiosas do planeta entendem ser o "Criador e Rei do Universo" por serem conceitos construídos conforme a nossa imagem e semelhança.

Tirar as sandálias é fundamental para que possamos incessantemente buscar o Deus vivo ao invés de encontrarmos um ídolo mudo, motivo pelo qual o Pai Nosso é iniciado pelo reconhecimento da santidade do Nome de Deus (conf. Mt 6.9). Porém, o célebre episódio da Torá mostra-nos o quanto descalçar os pés é ato simbólico e que todos os métodos de participação do Mistério poderão ser insuficientes por mais disciplinados que busquemos ser. Isto porque não existe receita espiritual para um encontro com o Eterno como se pudéssemos achá-lo frequentando um "lugar sagrado", ouvindo um louvor específico, sentando numa posição como a da ioga ou pronunciando palavrinhas mágicas. Pois, ainda que algumas boas práticas de vivência ajudem a relaxar a mente, elas jamais serão e real experiência.

O conto bíblico em análise, tido como proveniente da tradição javista pela Teoria Documentária e que corresponde aos seis primeiros versículos do capítulo 3 de Êxodo, seria antes de mais nada uma mera narrativa que nos ensina de maneira romanceada a aproximação mística do homem com Deus. Ela parece ser despida de qualquer historicidade, sendo, evidentemente, fruto do imaginário de um povo em que a oralidade precedeu o registro nas Escrituras. Aliás, o próprio nome hebraico do segundo livro da Torá (Shemot), tem por objetivo focar nos chamados de Moisés e de Israel.

Hoje, se formos visitar a Península do Sinai, e procurarmos pelo monte sagrado da revelação, certamente que não encontraremos ali nem anjos ou plantas queimando misteriosamente. Até a localização exata do Horebe é algo incerto e bastante discutível entre os estudiosos. Contudo, quem pagar por um turismo exótico desses, certamente voltará para casa ou frustrado, ou convicto de que a Luz Divina não está restrita a um lugar específico do globo terrestre.

Com esta maravilhosa historia judaica aprendemos basicamente que precisamos olhar atentamente os fatos ao nosso redor e agirmos com reverência em relação ao Mistério Sagrado que a todo instante fala e em qualquer local com os homens. Deus está em você, em mim, na natureza, nos animais, nas estrelas e em cada acontecimento. Sua glória pode manifestar-se até nos momentos mais ociosos do cotidiano. Seja na fila de um banco, quando nos encontramos presos num congestionamento, durante as tarefas domésticas ou na conversa mantida com alguém. Então, se prestarmos a atenção, talvez encontraremos um "arbusto em chamas" diante de nosso rosto.


OBS: A ilustração acima refere-se a uma pintura de 1848 na Catedral de São Isaac, em São Petersburgo, cuja autoria é atribuída ao artista russo Eugène Pluchart (1809-1880). A obra retrata Deus aparecendo a Moisés no episódio da sarça ardente (Êxodo 3). Parte da inspiração deste artigo veio de uma leitura do sugestivo livro Experimentar Deus: a transparência de todas as coisas, editora Vozes, do pensador Leonardo Boff, bem como de The Gospel of Thomas: a Guide for Spiritual Practice, de Ron Miller.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

"esfriará O SACRIFÍCIO POR MUITOS de muitos"?!

MANOS,
Uma questão chamou minha atenção em meus estudos pessoais da Palavra e um deles se encontra em Mateus 24:12.

Trata-se de um texto badalado das questões épicas da escatologia ou apenas dos últimos dias, como queiram, contudo, "esfriará o amor(AGAPE) de muitos" REFAÇO O TEXTO, "esfriará O SACRIFÍCIO POR MUITOS de muitos"?!

PARA MIM está claro o que muitas pessoas estão buscando, O CONFORTO do egoísmo de um EVANGELHO DE SEU MELHOR SABOR, portanto fico com a carta de Ariovaldo Ramos, em seu desabafo, "NÃO QUERO MAIS SER EVANGÉLICO".

NÃO QUERO MAIS SER EVANGÉLICO para estes que só querem o seu bel prazer, em detrimento do fel prazer da vida, pois como ser CRUCIFICADO COM CRISTO, CARREGAR A CRUZ, NEGAR-SE A SI MESMO sem o tal sacrifício agape?!

Não quero dar o meu amor sacrificial, como se tivesse que jogar pérolas aos porcos, as pessoas infantilóides (conceito para aqueles que insistem no atrofiamento emocional, pessoal e humano, que ficam na fuga de conhecimentos vazios, arrotando santidade ao invés de compaixão e misericórdia e pior, precisando ser alimentados com estruturas eclesiásticas dominicais afim de tirar proveitos para si próprios, não querendo sair do leitinho...), sem desejo de crescer e pensar, que não querem rever seus conceitos e preconceitos, ISSO NÃO!!!

Eu preciso ser mordomo deste AGAPE e dar àqueles que realmente querem e estão dispostos a dar também do seu, para juntos e numa caminhada de sermos sal, luz, semeadores do Reino, sejamos cooperadores DAS BOAS NOVAS.

Eu me enquadro neste texto, pois o tempo que gasto dando atenção a estes que não devo, sou esfriado no sacrifício, pois o desejo de auto preservação, proteção me sobem a mente, MAS DOU GLÓRIAS AO PAI, que ao me esconder no SOL DA SUA GRAÇA, sou aquecido com BRASAS VIVAS DO SEU ALTAR para não olhar para mim mesmo, MAS PARA O AUTOR, CONSUMADOR E PARA ÀQUELE QUE É O MOTIVO DE TODA HONRA E GLÓRIA - Jesus Cristo!

Fui galera!!!!

sábado, 6 de agosto de 2011

Buscando a espiritualidade

O cultivo da espiritualidade requer de nós uma abertura. Estarmos realmente dispostos a mudar, a experimentarmos o novo, a sairmos da rotineira compulsividade e da nossa superficialidade.

Tem a ver com uma profunda reciclagem de vida independente de autoridades religiosas, rituais, eventos ou até mesmo as práticas e métodos. Pois deve ser algo livre do emocionalismo e de práticas repetitivas, as quais, na verdade, só anestesiam a consciência do indivíduo, satisfazendo o seu ego.

Significa também não transferir para outrem a própria responsabilidade. E assim, libertos da culpa, podermos praticar o amor verdadeiro, assistindo o nosso próximo sem esperarmos recompensas ou retribuições, mas sim porque passamos a ter uma empatia pela humanidade e compreendemos o significado de nossa breve existência nesta vida.

A seguir, compartilho este interessante vídeo onde o seu autor expõe com clareza o que significa pra ele espiritualidade:



Caminho Consciência


Por Carlos Bregantim


Tenho pra mim que o tema espiritualidade ele está absolutamente corrompido, contaminado por conta daquilo que a religiosidade destes tempos tem passado para a maioria das pessoas.

As pessoas entendem que espiritualidade ou falar em espiritualidade é ir a uma igreja, ou a um templo, ou a um congresso, ou a um lugar onde algumas pessoas estejam reunidas cantando um hino fazendo uma oração, lendo um texto Bíblico coisas do tipo, e espiritualidade sadia tem a ver com muito mais que isso.

Espiritualidade sadia tem a ver com um encontro consigo mesmo, uma volta para o seu próprio coração, tem a ver com ouvir o outro e ouvir o ambiente que está a sua volta, tem a ver na verdade com ações holísticas, isto é, integrais, até porque eu penso e eu entendo assim que, é me ouvindo e ouvindo o outro e, observando aquilo que está a minha volta é que eu percebo Deus, noto Deus, observo Deus, compreendo algumas coisas de Deus.

Espiritualidade sadia tem a ver com algumas práticas, tem a ver com algumas disciplinas espirituais que estão muito longe de ser as tais disciplinas ou regrinhas que por aí são disseminadas como itens para fazer pessoas crescerem. Não! Em absoluto eu não acredito nisso. Acredito que espiritualidade sadia tem a ver em acordar e numa ligeira e breve devocional, orar uma oração simples como por exemplo, a oração dos discípulos de Emaús que quando chegam na porta de casa eles dizem simplesmente: Fica conosco Senhor!

Quanto tempo faz que a maioria das pessoas que vivem na religiosidade deixaram de orar orações como esta: Fica comigo Senhor! Fica conosco Senhor!

Espiritualidade sadia está muito, mas muito além daquilo que se entende como religiosidade nos dias de hoje. É assim que penso.